PESQUISE ABAIXO O ASSUNTO DO SEU INTERESSE

Carregando...

O GOZO TRISTE POR AMANDA GOYA


Texto de Orientação –  http://www.congresamp2014.com
Na falta de uma lei natural que regule a relação entre os sexos cada ser falante esbarra, fortuitamente, em um pedaço de real, fruto de um choque singular entre lalíngua e o corpo. As identificações sexuais, na época do pai, pareciam ter um assento um pouco mais estável para tratar desse real sem lei, com o cortejo de sintomas que lhe era próprio. Mas, depois que a ciência e o capitalismo uniram seus esforços para promover esse novo cogito que nos dirige, hoje – compro, logo sou -, o tratamento do real do gozo sem lei é revisitado por novos semblantes surpreendentes, no momento em que a desordem do real invade a sexuação.

* Amanda Goya

Será que essa desordem, na qual se pode conceber haver de mais de dois sexos entre os seres falantes, nos oferece um futuro? No Seminário: … ou pior, Lacan é categórico. Diz ele: « Que o sexo é real, não há a menor dúvida. E sua própria estrutura é o dual, o número dois. O que quer que pensemos, existem apenas dois, os homens, as mulheres [...] A coisa de que se trata, quando se trata de sexo, é do sexo oposto, até quando se prefere o mesmo a ele »[1] Em seguida, ele abranda essa afirmação reconhecendo que essa bipartição é um tanto inapreensível.
Subscrevemos hoje essa partição das fórmulas da sexuação[2] que ele elaborou nos anos 70?
Jacques-Alain Miller, em sua conferência de apresentação do tema do próximo Congresso da AMP, considera que a escrita das fórmulas com as quais Lacan procurou apreender os impasses da sexualidade em uma trama lógica matemática, ordenada em torno da função fálica, « foi uma tentativa heróica de fazer da psicanálise uma ciência do real »[3]. Mas essa tentativa de reconduzir o gozo à « pequena diferença »[4] não parece estar de acordo com a explosão da sexuação que se anuncia para o século XXI.

“BIPOLARIDADE”: MANIA, MELANCOLIA

“No mundo da psiquiatria as classificações nos dizem mais sobre o mundo social e estético no qual foram construídas que sobre (sua) natureza”.
G. E. Berrrios [1]

1. Introdução
O modo em que está colocado o título do presente trabalho tenta aludir à tensão que existe entre estes termos no debate atual.

De tal forma que o transtorno bipolar, por um lado, e a mania e a melancolia, por outro, têm diferentes origens temporais e se inscrevem em diferentes paradigmas dento da psiquiatria.
A mania, a melancolia e a loucura circular da Escola Francesa, a psicose maníaco-depressiva da Escola Alemã, respondem aos grandes relatos que se conhece como a “psiquiatria clássica”. Por sua vez, G. Lantéri Laura [2] descreveu uma série de paradigmas da psiquiatria moderna consignando que estas descrições se ajustam ao paradigma das enfermidades mentais de maneira mais precisa que o paradigma alienista de Pinel e Esquirol e que justamente se inaugura no século XIX com J. Falret com sua descrição da loucura circular e se extende até a morte de H. Ey na década de setenta do século XX.
2. A razão da “Bipolaridade” e sua época
A “bipolaridade” toma sua forma atual inscrevendo-se no paradigma tecnológico que, sobretudo a partir dos anos 80-90, leva a considerar a psiquiatria como “uma neurociência clínica”.
Em 1957 Karl Leonhard propõe uma classificação das psicoses endógenas baseadas na polaridade. Assim surge essa entidade cujo antecedente iniludível são as psicoses maníaco-depressivas descritas por E. Kraepelin que agrupa os quadros afetivos nessa única categoria.

SOBRE MIM

O psicanalista e escritor Edson Manzan Corsi é mestre em Estudos Literários na Universidade Federal de Goiás (UFG). Em 2006, concluiu, na PUC-Goiás, a especialização em Filosofia e, em 2003, a graduação em Psicologia. Na mesma instituição, lecionou Ética Profissional e Princípios Filosóficos. É autor do livro de contos Inferno e Memória, publicado com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, e dos seguintes livros de poemas, editados por vias próprias: Sombras do Momento, Duas Metáforas e um Sol e Estranho Livro Noturno. No segundo semestre de 2009, de agosto a dezembro, foi coordenador do grupo de estudos Psicanálise e Literatura, articulado e sustentado de forma independente. Em 2010, coordenou o grupo de estudos (também independente) Psicanálise e Cinema, que aconteceu em duas edições. Atualmente, ministra um Curso de Extensão pela PUC-GO intitulado Psicanálise e Literatura e exerce a clínica psicanalítica em consultório particular.